Agronegócio

Agronegócio em 2026: produtividade recorde já não é garantia de lucro no campo

·há 51 min
Agronegócio em 2026: produtividade recorde já não é garantia de lucro no campo
Agronegócio em 2026: produtividade recorde já não é garantia de lucro no campo

O cenário do agronegócio em 2026 apresenta um novo paradigma para os produtores rurais do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Durante décadas, o aumento da produtividade foi o foco principal, mas agora, colher mais sacas por hectare não assegura rentabilidade. A viabilidade econômica da atividade passou a depender de fatores externos à lavoura, como gestão de custos, logística eficiente e estratégias de comercialização, que ganharam peso decisivo no resultado final.

Especialistas alertam para o chamado “efeito tesoura”, onde os custos de insumos, fertilizantes e máquinas crescem em ritmo superior ao valor pago pelas commodities. No Triângulo Mineiro, região de forte relevância agrícola, o produtor enfrenta o desafio de manter margens positivas mesmo diante de safras volumosas. A deficiência na infraestrutura de armazenagem agrava o problema, forçando vendas imediatas em momentos de preços baixos para liberar espaço físico nas propriedades.

A logística também desempenha papel crítico na rentabilidade regional. A dependência do transporte rodoviário e as variações no preço do frete durante o pico da colheita podem consumir uma parte significativa do lucro. Para sobreviver a esse ambiente, a gestão de risco por meio de contratos futuros e operações de barter deixou de ser opcional e tornou-se ferramenta essencial de sobrevivência para o agricultor moderno.

Além dos desafios operacionais, o ano de 2026 marca o início da fase de testes da Reforma Tributária, com a introdução da CBS e do IBS. A adaptação aos novos sistemas fiscais exige que produtores e cooperativas organizem seus cadastros e processos contábeis com antecedência. A transição tributária demanda uma integração maior entre a administração financeira e a operação no campo para evitar perdas de crédito e eficiência.

Em resumo, a eficiência técnica na plantação deve vir acompanhada de uma gestão empresarial rigorosa. Acompanhar apenas o preço da saca não é mais suficiente; é preciso monitorar o custo por hectare e o ponto de equilíbrio de cada safra. O produtor que negligenciar a organização contábil e a proteção de preços corre o risco de ver sua produtividade recorde ser consumida por despesas operacionais e tributárias. Com informações de Regionalzão.