Congada de Uberlândia 150 anos: entenda a hierarquia e as tradições dos ternos

A Festa da Congada de Uberlândia celebra um marco histórico neste fim de semana ao completar 150 anos de tradição. Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2025, a manifestação de matriz africana mobiliza milhares de pessoas em torno de 24 ternos locais e grupos convidados, reforçando a identidade religiosa e a ancestralidade negra na maior cidade do Triângulo Mineiro.
Para compreender a magnitude do evento, é essencial conhecer a estrutura dos ternos, que operam sob uma hierarquia rigorosa. Diferente de outras manifestações populares, os grupos de Congado organizam-se de forma militar e espiritual, contando com figuras centrais como o Rei e a Rainha, que representam a soberania ancestral, além de capitães e madrinhas que lideram o canto e a condução dos integrantes durante os cortejos pelas ruas.
Outras funções fundamentais incluem o general ou comandante-geral, responsável pela coordenação macro dos grupos, e os caixeiros, que ditam o ritmo com instrumentos de percussão. A base do terno é formada pelos dançadores ou soldados, que executam as coreografias tradicionais, muitas vezes portando bastões e elementos simbólicos que variam de acordo com a história específica de cada grupo, como o centenário Terno Sainha, fundado em 1888.
A mudança da data da festa para outubro, que originalmente ocorria em novembro, remonta a um período de exclusão histórica, quando a comunidade negra foi impedida de participar das celebrações da padroeira organizadas por irmandades brancas. Hoje, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito preserva essa memória e garante a continuidade de uma das maiores expressões culturais do interior do Brasil. Com informações de G1 Minas Gerais.


