Dependência da China coloca em risco recordes e preços da carne bovina no Triângulo Mineiro

As exportações brasileiras de carne bovina atingiram patamares históricos no primeiro quadrimestre de 2026, com faturamento superior a US$ 6 bilhões. No entanto, o desempenho recorde esconde uma vulnerabilidade crescente: a alta concentração das vendas no mercado chinês, que já representa quase metade de todo o volume exportado pelo setor de proteína in natura no país.
A situação gera alerta para os produtores do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, regiões que são polos de confinamento e genética zebuína. A rápida utilização da quota livre de sobretaxação imposta por Pequim sugere que o limite pode ser atingido ainda no primeiro semestre, o que aplicaria uma tarifa adicional de 55% sobre o excedente, impactando diretamente as margens de lucro dos pecuaristas.
Especialistas apontam que o excesso de oferta que deixaria de ser enviado à China pode ser redirecionado ao mercado interno, pressionando os preços da arroba do boi gordo. Em Minas Gerais, o valor já flutua em torno de R$ 325,88, com frigoríficos adotando postura mais cautelosa nas negociações diante da incerteza internacional e da piora nas condições das pastagens.
Além do fator geopolítico, o setor enfrenta o desafio da perda de competitividade da carne bovina frente ao frango no consumo doméstico. Cidades como Uberaba, Uberlândia, Ituiutaba, Frutal e Prata, que possuem economia fortemente atrelada à cadeia produtiva da carne, acompanham de perto as movimentações regulatórias e tarifárias que podem moldar os investimentos no segundo semestre. Com informações de Regionalzão.


