Expansão elétrica em Minas avança mas infraestrutura ainda é gargalo para o agro

A modernização da rede elétrica em Minas Gerais, embora receba investimentos vultosos, enfrenta o desafio de acompanhar a rápida evolução tecnológica do agronegócio no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. A Cemig destinou cerca de R$ 243 milhões desde 2023 para o sistema de dupla alimentação, buscando reduzir interrupções em cerca de 700 municípios. Contudo, a transição de propriedades para o modelo de indústria tecnológica impõe demandas que a rede atual nem sempre suporta.
Na região, cidades como Uberlândia, Uberaba e Araguari receberam reforços com novas subestações. O problema central reside na mudança do perfil de consumo rural: o que antes atendia apenas iluminação básica, hoje precisa sustentar pivôs de irrigação, ordenhas robotizadas e sistemas de armazenamento refrigerado que operam ininterruptamente. Produtores locais ainda relatam oscilações constantes que prejudicam a competitividade e a conservação de produtos perecíveis, como o leite.
Outro fator que pressiona o sistema é o crescimento da geração distribuída, com fazendas instalando usinas solares próprias. A rede original não foi projetada para receber esse fluxo descentralizado, exigindo modernização constante. Especialistas apontam que o gargalo migrou da geração para a capacidade de distribuição e estabilidade. A irrigação pesada, em especial, consome energia equivalente a bairros inteiros, testando os limites da infraestrutura existente.
A Cemig afirma que os investimentos em automação e operação remota visam mitigar danos causados por eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes. O sistema de dupla alimentação permite que, em caso de falha em um circuito, o fornecimento seja restabelecido por uma via alternativa. Entretanto, entidades do setor produtivo alertam que o ritmo das obras ainda é inferior à velocidade de crescimento da agroindústria tecnificada regional. Com informações de Regionalzão.


