Exposição precoce de menores na mídia digital alerta sobre riscos à saúde mental adulta

No mês em que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) celebra mais um aniversário, especialistas alertam para os perigos da superexposição de menores no ambiente digital e em meios de comunicação tradicionais. A discussão, que antes se limitava a prodígios da TV e publicidade, agora abrange os influenciadores mirins e o compartilhamento excessivo de rotinas familiares nas redes sociais. Especialistas indicam que a falta de maturidade para lidar com a imagem pública pode gerar danos psicológicos profundos e duradouros.
Segundo a psicóloga clínica Soraya Oliveira, a exposição sem limites na infância está diretamente ligada ao surgimento de quadros de ansiedade, insegurança e uma busca constante por aprovação externa. A profissional destaca que, muitas vezes, a criança é tratada como um produto de engajamento antes mesmo de desenvolver sua percepção de identidade. Casos de celebridades que iniciaram carreiras precoces, como a americana Jennette McCurdy e a brasileira Larissa Manoela, ilustram como conflitos de autonomia e gestão de imagem podem impactar a vida adulta.
Além dos riscos diretos à saúde mental, como o cyberbullying, o registro constante da intimidade de crianças anônimas por seus familiares levanta questões sobre privacidade a longo prazo. Conteúdos que parecem inofensivos hoje, como vídeos de choro ou broncas, permanecem na rede e podem afetar a vida social e profissional desses jovens no futuro. Dados da TIC Kids Online indicam que 92% dos menores brasileiros já acessam a rede, reforçando a necessidade de vigilância.
A orientação é que pais e responsáveis estabeleçam limites claros, respeitando o direito da criança de não querer aparecer. O equilíbrio é fundamental para garantir que o desenvolvimento emocional não seja sacrificado em prol de curtidas ou do sucesso momentâneo em plataformas digitais. A proteção integral garantida pelo ECA deve se estender também ao ambiente virtual, assegurando um crescimento saudável e privado.
Com informações de Jornal Araxá.



