Tarifaço dos EUA ameaça produção de açúcar orgânico em usina de Santa Vitória

A Jalles Machado, que opera uma importante usina sucroenergética em Santa Vitória, foi apontada pela XP Investimentos como a empresa do agronegócio mais vulnerável às novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A exposição da companhia deve-se principalmente à sua forte presença no mercado norte-americano de açúcar orgânico. A análise indica que a medida possui caráter estrutural, podendo comprometer a competitividade brasileira no longo prazo.
No Triângulo Mineiro, a unidade de Santa Vitória integra o polo produtor de biocombustíveis e bioenergia do Pontal, sendo estratégica para a economia local e regional. Especialistas alertam que a tarifa dificulta o repasse de custos e abre espaço para que concorrentes internacionais ocupem a fatia de mercado hoje dominada pelo Brasil. O setor sucroenergético é um dos pilares da geração de empregos e renda em toda a malha de cidades vizinhas.
Além do açúcar, o setor de etanol também entra no radar de riscos. Existe a possibilidade de negociações envolverem a redução da tarifa brasileira sobre o biocombustível importado dos EUA, o que traria uma concorrência agressiva para os produtores do Centro-Sul. A medida americana foi fundamentada em alegações de práticas comerciais desleais, citando inclusive o sistema de pagamentos Pix como um ponto de atrito por prejudicar bandeiras de cartões estrangeiras.
Até o momento, não foram divulgados cortes de investimentos ou impactos diretos no quadro de funcionários da planta em Santa Vitória, mas o cenário de incerteza preocupa lideranças do agronegócio mineiro. A situação é acompanhada de perto por órgãos setoriais que buscam frentes diplomáticas para mitigar os prejuízos ao setor produtivo nacional.
Com informações de Regionalzão.


